“GONZAGUINHA” UMA HISTÓRIA

LUIZ GONZAGA RODRIGUES, “GONZAGUINHA” UMA HISTÓRIA, UMA LENDA DO ATLETISMO BRASILEIRO E DA POLÍCIA MILITAR.

  • OUT 2024
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Por Valmir dos Santos

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Emil Zatopek e Gonzaguinha da S.Silvestre de 1953

O atletismo costuma ser surpreendente e por vezes transformar o mero desconhecido em um atleta respeitado a partir de então. Isso, podemos afirmar que ocorreu com o policial militar e atleta Luiz Gonzaga Rodrigues, o “Gonzaguinha”, quando em 1951 era muito conhecido no meio dos praticantes do atletismo no Brasil, principalmente por seus feitos no ano anterior, porém, para o grande público, era somente mais um atleta brasileiro daquela corrida tradicional de 31 de dezembro que fechava o calendário esportivo de cada ano. Lá, um pouco antes da largada, estava aquele atleta um tanto baixo, perto dos demais ali presentes, mas, com uma musculatura bem definida e seu corpo bem troncudo, resultado de muito treinamento físico e trabalho como policial militar e, que até aquele momento,  pouco chamava a atenção dos atletas estrangeiros como o alemão Erik Kruzciky, que foi o campeão daquela edição, o chileno Raul Inustroza, campeão da edição de 1948 e o iugoslavo Franjo Mihalic, que seria o vencedor das edições de 1952, 1954 e vice-campeão olímpico da maratona em 1956 nos Jogo Olímpicos de Melbourne/Austrália entre outros nomes do atletismo mundial. E aí, surge ele, Luiz Gonzaga Rodrigues, lutando pela vitória daquela prova nos metros finais, quando foi superado nos metros finais, ficando na segunda colocação e sendo a partir daquela e até 1965, muito bem conhecido e respeitado por todos.

Nascido no dia 15 de novembro de 1924, na cidade de Sapé, no Estado da Paraíba, ingressou na Força Pública, no dia 29 de maio de 1947, como voluntário. Serviu no Batalhão Escola, Centro de Instrução Militar, Primeiro Batalhão, 6º Batalhão de Caçadores, Escola de Educação Física, Quartel General, Batalhão Tobias de Aguiar e, finalmente na Escola de Educação Física. Foi promovido a Cabo em 1953, 3º Sargento em 1964, 2º Sargento em 1966, sendo todas promoções por merecimento. Tendo falecido em 27 de março de 1967, sendo sepultado no Mausoléu do Esportista, por gentileza da Associação Atlética Veteranos de São Paulo.

HOMENAGEM À SUA CARREIRA ESPORTIVA

A primeira edição da “Gonzaguinha” foi realizada em 10 dezembro de 1967, como parte da programação oficial da “Semana da Força Pública”, celebrando os 136 anos da Instituição e homenageando o até então o seu mais expressivo atleta, Luiz Gonzaga Rodrigues, que havia falecido.

PRINCIPAIS FEITO ESPORTIVOS

Dentre as inúmeras participações do atleta LUIZ GONZAGA RODRIGUES, “GONZAGUINHA”, algumas merecem destaque, não só pela performance individual em cada uma delas, mas principalmente por seus recordes nos períodos destacados:

Em novembro de 1949, foi destacado para servir na Escola de Educação Física, já como atleta, onde seu potencial físico foi aprimorado, sendo que já no ano de 1950, passou a fazer parte da equipe da Força Pública, quando então se consagrou campeão paulista nas provas de 1.500 e 3.000 metros rasos; campeão do “Troféu Brasil de atletismo” na prova dos 1,500 metros rasos; vice-campeão brasileiro na prova dos 3.000 metros rasos; recordista paulista na prova dos 1.500 metros rasos.

Já no de 1951, foram registrados os seus primeiros resultados nas grandes competições nacionais e internacionais, tanto nas provas de rua, assim como em provas de pista. No início do ano foi convocado para participar dos Jogos Pan-americanos na cidade de Buenos Aires, na Argentina, sendo essa sua primeira grande participação em um evento internacional, porém, até por sua inexperiência, sem resultados expressivos. Também participou do “Torneio Internacional Brasil-Japão”, na prova dos 3.000 metros rasos, sendo o campeão da mesma. Mas, os seus maiores resultados naquele ano foram o recorde brasileiro dos 10.000 metros rasos e   a magnífica colocação na “27ª Corrida Internacional de São Silvestre”, chegando em 2º lugar, perdendo apenas para o alemão Erik Kruucziyk, uma prova decidida nos metros finais do evento de 31 de dezembro de 1951.

No ano seguinte, no dia 31 de dezembro de 1952, outro grande feito do então Soldado LUIZ GONZAGA RODRIGUES, responsável por outra espetacular façanha para o esporte brasileiro, ao subir no pódio da “28ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre”, pelo segundo ano consecutivo, ao terminar a prova em 3º lugar, perdendo apenas para dois renomados atletas da europeus, sendo que o primeiro lugar foi conquistado por Franjo Mihalic, atleta da Iugoslávia que naquele ano ganhou a prova, deixando a emoção da disputa entre o segundo colocado, Uhro Julin da Finlândia,  e o brasileiro LUIZ GONZAGA RODRIGUES, que disputaram a prova revezando as posições até os metros finais.

 

Troféu recebido pela 3ª colocação na São Silvestre d 1953.

Em 1953, já com a graduação de Cabo, LUIZ GONZAGA RODRIGUES, conseguiu um de seus melhores resultados em pista, na data de 15 de novembro de 1953, durante um Torneio Internacional realizada no Clube de Regatas Tietê, quando ganhou a prova dos 5.000 metros rasos daquele torneio, assim como quebrou o recorde brasileiro da mesma com a excepcional marca de 15’14”(quinze minutos e quatorze segundos), recorde que pertencia ao atleta SEBASTIÃO ALVES MONTEIRO desde 1947, atleta esse que também fazia parte da equipe da Força Pública do Estado de São Paulo.

E, confirmando o sua condição de melhor atleta do país o Cabo LUIZ GONZAGA RODRIGUES, repetiu a colocação do ano anterior, chegando em 3º lugar na “29ª Corrida Internacional de São Silvestre”, ano em que a corrida contou com a participação de um dos maiores atletas de todos os tempos, ou seja, o campeão olímpico de Londres/Inglaterra em 1948 e, campeão olímpico de Helsinque/Finlândia em 1952, Emil Zatopek, o  “A Locomotiva Humana”, da ex-Tchecoslosváquia, que foi o campeão da prova, deixando em 2º lugar o atleta belga Lucien Theys, ganhador da São Silvestre no ano de 1950, valorizando sobremaneira a 3º colocação do atleta brasileiro.

Pódio da S. Silvestre de 1953.

1955, 1956 e 1957, foram considerados os anos de ouro do atleta LUIZ GONZAGA RODRIGUES, que deixou sua última grande marca na ‘31ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre” de 1955, subindo ao pódio mais uma vez, ao chegar em 3º lugar, perdendo a prova somente para o atleta Kenneth Norris, da Inglaterra e, Stritof Drago da ex-Iuguslávia, provando que ainda era o melhor atleta do Brasil naquele momento. Em 1956, além de outros resultados não menos importantes, o Cabo LUIS GONZAGA RODRIGUES, voltou a se destacar quando, para não deixar dúvida de sua capacidade física e técnica, o quebrou o recorde brasileiro dos 20.000 metros rasos, ao estabelecer a excepcional marca de 1 hora 04, minutos 27 e segundos e, no ano seguinte, em 1957, durante a realização do “Campeonato Triangular Sul-Americano”, realizado na cidade de Santiago do Chile/Chile, no período de 10 a 25 de abril de 1957, estabeleceu um nova marca  para a prova dos 5.000 metros rasos, com a fantástica marca de 15’00”(quinze minutos ), três segundos a menos que o recorde anterior. No mesmo ano, ainda participou e foi o 19º colocado na “33ª Edição da Corrida Internacional de São Silvestre”. Continuo participando de competições até o ano de 1965, quando então por alguns problemas físicos, abandonou as competições e prosseguiu sua carreira militar até o ano de 1967, quando então acometido por uma pancreatite provocada por pedras na vesícula e, “supostamente”  com diagnóstico tardio, vindo a falecer em 27 de março de 1967.

E, sua memória foi perpetuada pela Escola de Educação Física da Polícia Militar do Estado de São Paulo, com a idealização e realização da “Prova Pedestre Sargento Luiz Gonzaga Rodrigues” “GONZAGUINHA”, reconhecidamente uma das provas pedestre mais importante do Brasil. Prova essa, que desde sua primeira edição tem sido incluída no calendário de aniversário da Polícia Militar do Estado de São Paulo, em reconhecimento a quem tanto a honrou com suas participações em provas nacionais e internacionais.

Sobre o autor Valmir dos Santos:

LICENCIATURA PLENA EM EDUCAÇÃO FÍSICA – EEFPM – 2001.

BACHAREL EM DIREITO – UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO -USF – 2003.

PÓS GRADUANDO EM DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR PELO CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC – 2015/2016.

DOUTORANDO EM EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTES PELA UNIVERSIDADE DE MATANZAS/ CUBA – 2015/2019.

PROFESSOR DE ATLETISMO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA – Ce Cap -EEFPM 2004/2016.

TREINADOR DE ATLETISMO DA NÍVEL I  – ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DAS FEDERAÇÕES DE ATLETISMO/IAAF

ÁRBITRO NACIONAL DE ATLETISMO DA CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ATLETISMO – CBAT

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE ÁRBITROS DE ATLETISMO – SÃO PAULO – 2016/2020.

Lattes: http://lattes.cnpq.br/1220348675499521

Referências:

ADPM. Caderno Especial Gonzaguinha, São Paulo, ADPM, 1981.

EEFPM. Seção Técnica, arquivo geral. São Paulo: 2003.

FEDERAÇÃO PAULISTA DE ATLETISMO. Arquivo Geral. São Paulo: 2003.